O nosso olhar é o principal ponto de conexão com o mundo. Por isso, a presença de escurecimento ou profundidade ao redor dos olhos — conhecida cientificamente como hiperpigmentação periorbicular constitucional, ou simplesmente “olheira” — pode causar um impacto significativo na autoestima e na qualidade de vida, transmitindo frequentemente uma aparência de cansaço que não reflete a forma como nos sentimos.
Na dermatologia, sabemos que o tratamento desta região é um desafio fascinante e complexo. As olheiras raramente têm uma única causa, e compreender a origem exata do seu sombreamento é o primeiro passo para um tratamento eficaz.
Muito além do cansaço: As reais causas das olheiras
Embora noites mal dormidas piorem o aspeto da região, as causas da afecção vão muito além da falta de sono. O escurecimento periorbicular é multifatorial e pode ser classificado da seguinte forma:
- Fator Pigmentar (Melânico): Ocorre devido ao aumento e acumulação de melanina na epiderme das pálpebras, muitas vezes com forte componente genético ou como resultado de uma pigmentação pós-inflamatória (comum em pacientes com dermatite atópica ou alergias que esfregam frequentemente os olhos).
- Fator Estrutural: Muitas vezes, o que parece ser uma mancha escura é, na verdade, um sombreamento decorrente da anatomia do rosto, flacidez local, perda de sustentação óssea ou excesso de pele na pálpebra.
- Fator Vascular: A pele ao redor dos olhos é extremamente fina (atrofia cutânea), o que torna a rede de vasos sanguíneos subjacente mais visível, conferindo um tom azulado ou arroxeado.
- Fatores Externos e Estilo de Vida: A insónia e o cansaço persistentes atuam diretamente neste processo, causando a estase (acumulação) dos vasos sanguíneos e alterando a cor da região. Além disso, certos medicamentos — como quimioterápicos, antipsicóticos e alguns colírios específicos — podem desencadear ou agravar o quadro.
A Abordagem Médica para o Tratamento
A resolução das olheiras exige precisão diagnóstica e, sobretudo, alinhamento de expectativas. Diferentes tratamentos têm sido propostos e validados pela ciência, e a escolha do protocolo ideal depende da causa predominante.
Entre as opções terapêuticas mais eficazes no nosso arsenal clínico, destacam-se:
- Uso de retinoides tópicos e dermocosméticos clareadores.
- Peelings químicos específicos para a área dos olhos.
- Tecnologias a Laser (como o Lavieen, que atua na uniformização do tom e textura da pele).
- Terapias de estímulo e oxigenação local.
O compromisso com o tempo: É fundamental que o paciente compreenda que a pele periorbicular é delicada. A resposta terapêutica depende da realização de várias sessões e o processo de clareamento e reestruturação é gradual. A continuidade do tratamento e a disciplina com a rotina de skincare prescrita (onde a fotoproteção diária é absolutamente indispensável) são inegociáveis para o sucesso.
O Papel do Seu Estilo de Vida
Na visão integrativa da Clínica Com-ciência, o tratamento não termina na porta do consultório. A mudança de hábitos de vida desempenha um papel central nas nossas orientações. Uma alimentação equilibrada, a prática regular de atividade física, a qualidade do sono e a suspensão do tabagismo são alicerces essenciais que sustentam e prolongam os resultados de qualquer plano terapêutico proposto para a região dos olhos.
O seu olhar merece refletir a sua vitalidade. Se as olheiras são um incómodo constante, o diagnóstico médico preciso é o melhor caminho.
Por Dra. Amanda Sabino
Referências Científicas e Base de Estudos: Para garantir a excelência e o rigor científico das nossas informações, este artigo foi fundamentado nos seguintes estudos médicos:
- Malakar S, Lahiri K, Banerjee U, Mondal S, Sarangi S. Periorbital melanosis is an extension of pigmentary demarcation line-F on face. Indian J Dermatol Venereol Leprol. 2007;73(5):323-5.
- Sampaio S, Rivitti E. Dermatologia. 3 ed. Artes Médicas: São Paulo; 2007.
- Lowe NJ, Wieder JM, Shorr N, Boxrud C, Saucer D, Chalet M. Infraorbital pigmented skin. Preliminary observations of laser therapy. Dermatol Surg. 1995; 21(9):767-70.
- West TB, Alster TS. Improvement of infraorbital hyperpigmentation following carbon dioxide laser resurfacing. Dermatol Surg. 1998;24(6):615-6.
- Mitsuishi T, Shimoda T, Mitsui Y, Kuriyama Y, Kawana S. The effects of topical application of phytonadione, retinol and vitamins C and E on infraorbital dark circles and wrinkles of the lower eyelids. J Cosmet Dermatol. 2004;3(2):73-5.
- Khunger N; IADVL Task Force. Standard guidelines of care for chemical peels. Indian J Dermatol Venereol Leprol. 2008;74 (Suppl):S5-12.


